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2022
Copiando o CIM, CPI da Vale estabelece parceria para criar consórcio com municípios impactados pela ferrovia

Presidente do CIM e o presidente da CPI da Vale, deputado estadual Eraldo Pimenta, do Pará.
O Consórcio Intermunicipal Multimodal (CIM) presidido pelo prefeito de Alto Alegre do Pindaré, Fufuca Dantas (PP), será referência para criação de um novo, no estado do Pará.
Como resultado dos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a atuação da Vale S A no Pará, está sendo discutida a criação de um consórcio intermunicipal para atender as necessidades dos municípios paraenses que fazem parte do corredor da Estrada de Ferro Carajás, impactados pela mineração.
Nesse sentido, o presidente da CPI da Vale da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), deputado Eraldo Pimenta, participou na quarta-feira (16) de reunião na sede do Consórcio Intermunicipal Multimodal (CIM) em São Luís, com o presidente da instituição, Fufuca e diretor geral Max Andrade.
Um dos objetivos será estabelecer a união de esforços para a implementação de ações e políticas públicas que venham atender as necessidades de comunidades impactadas diretamente e indiretamente pela atividade mineral em solo paraense.
Na pauta, trataram sobre a implantação do consórcio e discutiram propostas de encaminhamento para a criação, que visa reunir os cinco municípios paraenses ao longo da ferrovia da Vale, como Canaã dos Carajás, Curionópolis, Parauapebas, Bom Jesus do Tocantins e Marabá.
– Histórico
Inaugurada em 1985, a Estrada de Ferro Carajás possui 892 quilômetros de extensão, é o elo de ligação com a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, em Carajás, no sudeste do Pará, ao Porto de Ponta da Madeira, em São Luís (MA). Porém, ao longo do percurso as riquezas paraenses são transportadas, deixando marcas de destruição ao meio ambiente e pobreza entre as comunidades que moram no entorno dos trilhos.
A Vale sustenta o discurso de que cumpre rigorosamente a legislação federal vigente no Brasil e que mantém diálogo permanente com prefeitos e comunidades, mas na prática isso não acontece.
De acordo com demonstrativos de resultados da Vale, no período 2004 a 2021, as receitas líquidas da empresa, foram da ordem de UU$ 625, 144 bilhões.
Nesse período, o valor não recolhido por meio da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CEFEM está em torno de R$ 10. 700 bilhões. São recursos que se estivessem sido pagos, poderiam ser aplicados em infraestrutura de estradas, hospitais, escolas, bibliotecas e em outros projetos estruturantes.
– Sem transparência
A ausência de transparência e de diálogo da Vale com os poderes públicos locais e representantes das comunidades e o não cumprimento de condicionantes são destacados pelo presidente do CIM.
“A Vale passa com toda a riqueza todos os dias e a pobreza vai ficando por aqui. E quando procuramos a empresa, é uma grande dificuldade conseguir apoio. Então, nosso objetivo é mudar essa realidade de forma unida e trazer um novo conceito para ajudar essas cidades e a vida dessas pessoas para que não sejam tão pobres” destacou.
Sobre os trabalhos da CPI da Vale, Fufuca disse que há expectativa do Maranhão ser beneficiado com os resultados da atuação.
“Espero que a CPI também consiga trazer resultados ao nosso estado. A riqueza é extraída no Pará, passa por aqui, mas não chega até nós. Por isso precisamos unir forças e discutir políticas para fortalecer os interesses desses municípios”, completou.


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