JUSTIFICAÇÃO
O Corredor Centro-Norte, formado pelos estados do Maranhão e
Tocantins, centro-sul do Piauí, sudeste do Pará e nordeste do Mato
Grosso, experimentou um crescimento vertiginoso, nos últimos anos, na
produção de grãos e a Companhia Nacional de Abastecimento projeta
manutenção da curva ascendente de produção.
Contudo, concorrendo com o dinamismo do setor produtivo, o
Poder Público não tem demonstrado similar consistência na provisão de
meios para fortalecer as vocações produtivas locais e gerar alternativas
em modelos de produção sustentáveis. Além da precariedade dos
equipamentos de transporte e a indisponibilidade energética que propicie
diferencial competitivo para o adensamento da cadeia produtiva local, a
distância e a precariedade de acesso a importantes centros de
conhecimento condenam a região a práticas exploratórias por vezes
inadequadas mesmo para regiões de ocupação consolidada.
Essas questões seriam mais bem equacionadas a partir da geração
e difusão de informações de âmbito local e do desenvolvimento e acesso
ao conhecimento tecnológico. Por um lado, há de se assegurar a
maximização do retorno do uso dos recursos naturais e a adoção de
técnicas conservacionistas na exploração agropastoril; por outro,
habilitar as comunidades para aproveitamento de oportunidades
alternativas, relacionadas ou não com a cadeia oleaginosa, de sorte a
multiplicar as riquezas e socializar a sua apropriação.
Atualmente, apenas a vertente produtiva tem sido razoavelmente
coberta com os valorosos esforços da Fundação de Apoio à Pesquisa no
Corredor de Exportação Norte (Fapcen) e da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Entretanto, em virtude do caráter das
duas instituições, naturalmente não se dedicam a explorações e formação
próprias do meio acadêmico, além de concentrar sua área de
conhecimento no desenvolvimento e na adaptação de cultivares e de
técnicas de manejo, a despeito de um universo muito maior de
conhecimentos de que padece a região.