27
abr
2017

Sarney tenta reescrever seus 50 anos de atraso no Maranhão

Para autor de livro, José Sarney é um político de reputação ilibada, sem qualquer deslize; A “obra” mais parece um deboche aos maranhenses.

No livro, aliado de Sarney não revela aos leitores que os péssimos indicadores socioeconômicos e a miséria no estado são reflexos das cinco décadas de domínio do grupo Sarney.

Atolado em escândalos de corrupção, o ex-senador e ex-presidente José Sarney usa todas as estratégias possíveis para resgatar do subsolo sua imagem junto à opinião pública maranhense. Desta vez, um livro lançado nesta semana tenta minorar o desgaste de Sarney e do seu grupo político, gerado em 50 anos de descaso com o Maranhão.

Escrito pelo sarneysista Eliézer Moreira Filho, o livro “O Maranhão Novo – A saga de uma geração” é um elogio exacerbado a José Sarney no período em que ele foi governador do Maranhão entre os anos de 1966 e 1971.

Eliézer Moreira Filho é homem de confiança da oligarquia e durante os 50 anos de poder dos Sarney no Maranhão exerceu cargos públicos no Estado. Além de ter sido superintendente de Desenvolvimento do Maranhão no período em que o velho oligarca foi governador, ele também foi secretário de Indústria e Comércio no governo Luís Rocha, Chefe da Casa Civil na gestão Edison Lobão (PMDB) e secretário de Articulação Política no primeiro governo Roseana Sarney (PMDB).

Na obra, Sarney é retratado como um homem habilidoso no comando da administração pública estadual na segunda metade da década de 1960. “Trata-se de uma reputação ilibada, sem qualquer deslize”, enaltece Eliézer.

No entanto, Eliézer não revela aos leitores que os péssimos indicadores socioeconômicos e a miséria no estado que só agora começa a mudar são reflexos das cinco décadas de domínio do grupo Sarney no Maranhão, iniciadas no governo José Sarney.

Não se chega aos primeiros lugares entre os estados mais desiguais do país de um dia para o outro. Em 1966, quando Sarney foi eleito, o Maranhão deu início ao processo que culminou na “aquisição” dos piores indicadores sociais do país. Depois disso, nos 50 anos seguintes, o estado foi governado por políticos autorizados por Sarney.

Até 2014, quando sua filha Roseana Sarney encerrou um ciclo de meio século de mandos e desmandos do clã no estado, o Maranhão era vice-campeão de analfabetismo e de mortalidade infantil, tinha a pior renda per capita do país, estava em penúltimo lugar quando o quesito era Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e a crise no sistema prisional maranhense era uma das marcas do legado de abandono deixado pelos Sarney.

Pensão de R$ 30,4 mil como governador

O autor de “O Maranhão Novo” também não cita que Sarney briga atualmente na justiça para manter sua tripla aposentadoria mensal de R$ 73 mil, sendo que desse montante, mais de R$ 30 mil correspondem à pensão que ele recebe por ter sido governador.

Ele foi condenado pela Justiça Federal a devolver aos cofres públicos tudo que recebeu acima do teto estabelecido pela Constituição, já que ele recebe mais do que o dobro permitido. Sarney luta ainda para não atender outra determinação da Justiça: abrir mão de benefícios para se enquadrar no limite constitucional.

Maranhão 66

Não é de hoje que Sarney sabe do potencial publicitário para elevar imagens. Em 1966, Sarney contratou o cineasta Glauber Rocha para fazer uma reportagem-documentário sobre sua posse como governador do Maranhão, mas o tiro saiu pela culatra. No filme Intitulado “Maranhão 66”, Glauber usou uma estética que intercalava as falas de Sarney em seu discurso de posse com imagens da miséria indigerível do Maranhão. O filme, que não pegou bem e foi rejeitado como peça publicitária na época, até hoje suscita uma interpretação irônica sobre a demagogia política de Sarney e seu grupo.

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