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Pesquisadores da UFMA alertam sobre o perigo da apicultura migratória na região de Belágua

O PNAN representou junto ao Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, IBAMA, SEMA e prefeituras solicitando a suspensão da apicultura na região, até que um estudo de impacto ambiental seja feito e estabeleça a normatização e regularização da atividade.

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Professor do Departamento de Biologia da UFMA e coordenador do PNAM, Murilo Drummond.

O Programa Nacional Abelhas Nativas (PNAN), vinculado ao Departamento de Biologia da Universidade Federal do Maranhão, está liderando um movimento para alertar sobre o perigo provocado pela ação da apicultura migratória em larga escala no Estado. Essa prática já vinha ocorrendo na região de Santa Luzia do Paruá, mangues da Baixada, em Perizes e agora no cerrado do nordeste maranhense, mais precisamente em Belágua.

Cerca de cinco mil colônias da espécie exótica Apis mellifera, mais conhecida como abelha africanizada, foram instaladas em Belágua, vindas de diversas regiões do Maranhão e estados vizinhos, o que, possivelmente, segundo os estudos do Programa, causará um desequilíbrio na população de abelhas nativas dessa localidade.

No nordeste do Maranhão, as populações de abelhas vêm sendo monitoradas cientificamente pelo Programa há 15 anos, em razão da expansão da eucaliptocultura e da sojicultora. Pesquisadores afirmam que  o desmatamento na região acaba prejudicando o ecossistema e provoca um impacto para as espécies nativas. No entanto, o principal problema, atualmente, reside na prática da apicultura em larga escala na localidade.

“A entrada da apicultura migratória pode constituir-se numa fórmula explosiva de degradação ambiental, que vai potencializar a perda da diversidade de espécies de abelhas nativas da região de Belágua”, revelou o professor do Departamento de Biologia da UFMA e coordenador do PNAM, Murilo Drummond.

De acordo com o professor, a questão problemática não é a apicultura em si, mas a maneira abusiva como a atividade vem sendo praticada na região, sem nenhuma regulamentação.  Explica que, apesar da expansão da eucaliptocultura e da sojicultora, as variadas espécies de abelhas selvagens tinham condições de sobreviver minimamente naquele espaço.

“O problema é que estão colocando uma grande quantidade de ninhos de abelha africanizada num espaço relativamente pequeno, causando um grande impacto às poucas espécies que já sobreviveram ao desmatamento”, destacou Drummond. Segundo ele, a escassez do recurso disponível é uma variável que define o destino das abelhas nativas, uma vez que ambas necessitam de néctar e pólen.

Pesquisas vêm sendo desenvolvidas com o intuito de perceber as características da relação entre as abelhas africanizadas e as abelhas nativas. Alguns estudos revelam que a Apis mellifera é uma espécie bastante ativa e extrai recursos naturais com mais eficácia e rapidez que as selvagens, sobretudo por possuir um porte maior.

A mestranda Cíntia Pacheco, do Programa de Biodiversidade e Conservação, desenvolve uma pesquisa sobre a relação entre as abelhas da espécie Apis mellifera e as abelhas nativas, da espécie tiúba. “Quando não há presença da Apis mellifera por perto, as abelhas tiúba coletam pólen numa quantidade três vezes maior”, disse.

Para tentar solucionar o problema, o PNAN representou junto ao Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, IBAMA, SEMA e prefeituras solicitando a suspensão imediata dessa prática na região, até que um estudo de impacto ambiental seja feito e estabeleça a normatização e regularização da atividade.

Saiba mais 

O Programa Nacional Abelhas Nativas (PNAN) é resultado do Projeto Abelhas Nativas, realizado em parceria com a Associação Maranhense para a Conservação da Natureza, nos anos 2000. O programa está focado em disseminar as práticas de conservação das abelhas nativas no Brasil.

Com grande repercussão nacional, principalmente em outras universidades, o programa desenvolveu grupos com a missão de disseminar as práticas do Projeto Abelhas Nativas para serem reaplicadas em outras experiências no Brasil inteiro. Na UFMA, o programa possui o apoio do Laboratório de Estudos de Abelhas, coordenado pelas professoras Patrícia Albuquerque e Márcia Rego, e o Laboratório de Estudos Sistemáticos de Insetos Polinizadores e Predadores, coordenado pela professora Gisele Azevedo.

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