03
jun
2016

Machado diz que pagou mais de R$ 70 milhões a Renan, Jucá e Sarney

Afirmação de ex-presidente da Transpetro está registrada em delação premiada.

renan-sarney-juca

O presidente do Senado, Renan Calheiros; o ex-presidente da República, José Sarney; e o senador Romero Jucá: cúpula do PMDB.

O Globo – Em depoimentos da delação premiada, Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, disse que distribuiu mais de R$ 70 milhões em propina de contratos da estatal para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR), e o ex-senador José Sarney (PMDB-AP), entre outros líderes do PMDB. Segundo Machado, o valor mais expressivo, de R$ 30 milhões, foi destinado a Renan, o principal responsável pela indicação dele para a presidência da Transpetro, subsidiária da Petrobras e maior empresa de transporte de combustível do país.

Machado disse ainda que repassou aproximadamente R$ 20 milhões para Sarney durante o período que esteve à frente da estatal. Romero Jucá, que ficou uma semana como ministro do Planejamento do governo Michel Temer, também recebeu aproximadamente R$ 20 milhões. Machado fala sobre altas somas em propinas com autoridade. A partir do acordo de delação, ele próprio se comprometeu a devolver aproximadamente R$ 100 milhões, fortuna acumulada com desvios de contratos entre grandes empresas e a Transpetro.

ESQUEMA DUROU DE 2003 A 2015

Machado disse que abasteceu também as contas dos senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Jader Barbalho (PMDB-PR). As acusações são consideradas devastadoras porque Machado indicou os contratos fraudados e os caminhos percorridos pelo dinheiro até chegar aos parlamentares. Relatou que o dinheiro era desviado de contratos firmados entre a Transpetro e grandes empresas. O esquema funcionou durante todo o período que ele esteve à frente da Transpetro, de 2003 até o ano passado.

A estrutura de arrecadação de propina e lavagem de dinheiro seguiu os padrões tradicionais. Os recursos passavam por várias pessoas até chegar ao políticos mencionados por Machado. Em alguns casos, a propina foi entregue diretamente ao interessado. Machado deixou claro, ainda, que o dinheiro era para custear campanhas eleitorais e para pagar despesas pessoais. O ex-presidente da Transpetro disse que arrecadava e repassava a propina porque achava ser esta a missão dele, ou seja, garantir retorno financeiro ao grupo político responsável pela sustentação dele à frente da estatal.

Renan indicou Machado para a presidência da Transpetro em 2003, no início do primeiro mandato do ex-presidente Lula, e o manteve apoio à permanência dele no cargo até ano passado, mesmo depois de ter sido acusado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, de receber propina.

A indicação teria ainda apoio de Jucá, Sarney e Lobão, entre outros líderes do PMDB. A combinação dos grampos feitos por Machado com os depoimentos dele e do filho, Expedito Machado, deixa Renan, Sarney e Jucá em situação extremamente delicada.

Nas conversas gravadas por Machado, Renan, Jucá e Sarney aparecem discutindo meios de barrar as investigações da Operação Lava-Jato. Num dos diálogos, Renan defende mudança na lei para dificultar delações premiadas. Jucá fala no impeachment de Dilma Rousseff como uma forma de “estancar a sangria” da Lava-Jato. Sarney sugere a escalação dos advogados César Asfor Rocha, ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça, e Eduardo Ferrão para conversar com o ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).

RENAN E JUCÁ RESPONDEM A INQUÉRITOS

As gravações já resultaram na demissão de Jucá do Ministério do Planejamento e de Fabiano Silveira, do Ministério da Transparência. Numa das conversas, também gravadas por Machado, Fabiano Silveira foi flagrado orientado Renan a sonegar informações e, com isso, atrapalhar o andamento da Lava-Jato. Renan e Jucá já são alvos de inquéritos abertos desde a primeira fase da operação. Machado decidiu fazer acordo de delação depois que o dono de uma empreiteira indicou uma conta usada por ele para movimentar dinheiro de propina. A conta, aberta num banco na Suíça, era administrada por Expedito Machado, que vivia em Londres.

Expedito também fez acordo de delação e confirmou boa parte das declarações do pai sobre a movimentação da propina. O nome de Machado apareceu já na primeira fase da Lava-Jato. Paulo Roberto Costa, o primeiro delator, disse que o ex-presidente da Transpetro recebia dinheiro desviado dos cofres públicos. Ele próprio, Costa, disse ter entregado R$ 500 mil em espécie na casa de Machado.

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Mesmo diante da acusação, Machado se manteve no cargo até fevereiro de 2015, em clara demonstração de força política. Ao deixar a estatal, resistiu às investigações. Só mudou de ideia e decidiu colaborar depois que o filho Expedito entrou na mira do Ministério Público Federal.

Sem saída, Machado passou a gravar conversas com seus antigos aliados. Logo depois de gravar alguns de seus principais interlocutores, ele fechou acordo de delação com o MPF. Os acordos de Machado e do filho foram homologados por Teori na semana passada. A partir de agora, a Procuradoria-Geral da República deverá aprofundar as investigações sobre cada acusação do ex-presidente da Transpetro.

Procurado pelo GLOBO, Renan negou que tenha recebido dinheiro de Machado: “Jamais recebi vantagens de ninguém e sempre tive com Sérgio Machado relação respeitosa e de estado”, disse o senador, segundo um de seus assessores. Renan também disse que “nunca indicou ninguém para a Petrobras ou para o setor elétrico”. O GLOBO tentou, sem sucesso, falar com Antônio Carlos de Almeida Castro, advogado de Sarney e Lobão. Em nota, Juca disse que “nega o recebimento de qualquer recurso financeiro por meio de Sérgio Machado ou comissões referentes a contratos realizados pela Transpetro”.

1 Comentário

  1. Gonzaga disse:

    Esses ai é tudo ladrão! Agora deixa te dizer uma coisa, teu governador ta lascado tambem, ja pegou porrada na eleição da OAB, pegou porrada no processo de Dilma, pegou porrada de Ricardo Murad, vai pegar porrada nas eleicoes municipais principalmente em Sao Luis, e a porrada vai ser grande quando vier as eleicoes pra governador sem falar que quando aquele Leo pinheiro da UTC abrir a boca, Flavio Dino vai embora com linha e tudo.

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