Delação da JBS: Os principais pontos dos depoimentos : Blog do Domingos Costa                                                                                                                                                                                                                     





O STF (Supremo Tribunal Federal) divulgou na tarde desta sexta-feira (19) a íntegra da delação premiada dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos do grupo JBS, controlador do frigorífico Friboi. A medida foi tomada após o ministro Edson Fachin homologar os depoimentos, firmados com a PGR (Procuradoria-Geral da República). São cerca de 2 mil páginas. As oitivas foram gravadas em vídeo. Sigilo já havia sido retirado, mas material não estava disponível; informações resultaram em movimento pelo impeachment de Temer.

– Em grampo, Gilmar Mendes promete ajudar Aécio em projeto que dificulta investigações de corrupção

Imagem relacionadaO ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes foi flagrado em um grampo telefônico — autorizado pelo próprio Supremo — prometendo ajuda ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) para aprovar o projeto de lei que define o crime do abuso de autoridade. Relatório da Polícia Federal revela um pedido do senador ao ministro do Supremo para que converse com outro senador, Flexa Ribeiro (PSDB-PA), e o convença a seguir o voto de Aécio no referido projeto. O senador mineiro foi afastado na quinta-feira (18) de suas funções no Legislativo por determinação de Luis Edson Fachin, ministro responsável no STF pelos inquéritos da Lava Jato.

– Joesley diz que 100% do seu negócio ‘era com o presidente Michel’

O empresário Joesley Batista, dono da JBS, afirmou à Procuradoria-Geral da República que 100% dos “negócios” dele eram tratados diretamente com o presidente Michel Temer. A afirmação foi feita no contexto em que Joesley explicava a conversa que teve com o deputado afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) sobre o pagamento de propinas ao grupo do PMDB. “Quando era com o Geddel (Vieira Lima, ex-ministro da Secretaria de Governo) e o Michel era bastante consolidada a ideia de que todo mundo sabia do que estava acontecendo. Rodrigo eu conheci em uma ou duas conversas. Eu tive com ele umas três vezes. 100% do meu negócio era com o presidente Michel”, afirmou.

– Pediram R$ 150 mi para comprar 30 deputados e salvar Dilma, diz Joesley

Resultado de imagem para impeachment dilmaO empresário Joesley Batista afirmou que o deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) pediu a ele, na véspera da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, 16 de abril de 2016, que comprasse 30 deputados por R$ 5 milhões cada um para bloquear o afastamento da presidente. Segundo depoimento de Batista, Bacelar foi à casa dele no sábado anterior à votação, às 22h30. “Ele disse: nós precisamos comprar os deputados para bloquear o impeachment; aí me mostrou uma lista – 30 deputados, a R$ 5 milhões cada um, a gente bloqueia o impeachment”, disse Batista em seu depoimento ao Ministério Público, no dia 3 de maio de 2017. “Eu disse a ele: olha, 5 deputados por R$ 3 milhões cada, você pode comprar por minha conta…30 eu não dou conta de comprar”, continuou o empresário.

– Delator diz que Aécio recebeu R$ 80 mi para campanha e ‘continuou pedindo mais’

Resultado de imagem para AécioRelações Institucionais e de Governo da JBS, Ricardo Saud, relatou que o grupo pagou R$ 80 milhões para a campanha do então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Principal braço direito de Joesley Batista, dono da JBS, nas negociações com políticos do governo ou da oposição, Saud não deu detalhes sobre a forma do repasse ao tucano, mas disse que as “questões” eram na maioria das vezes “ilícitas”. O delator contou que Joesley sempre “correu” do candidato. “Ele [Aécio] continuou pedindo mais dinheiro após a campanha”, relatou. Saud ainda contou que um homem de prenome Fred era o interlocutor de Aécio para receber o dinheiro, sempre em shopping center movimentado. O dinheiro era guardado por Fred numa mochila de cor preta. Uma pessoa próxima de Aécio conhecida por Fred é o primo dele Frederico Pacheco de Medeiros, preso no âmbito das investigações nesta quinta-feira (18).

– Temer teria recebido cerca de R$15 mi em propina da JBS

Resultado de imagem para Temer teria recebido cerca de R$15 mi em propina da JBSO diretor da JBS Ricardo Saud afirmou, em delação premiada, que o presidente Michel Temer recebeu aproximandamente R$ 15 milhões em propina, de acordo com inquérito contra o presidente no STF (Supremo Tribunal Federal). O inquérito investigará Temer por obstrução à Justiça e corrupção passiva. Executivos da JBS também relataram pagamento de propina a Temer e ao deputado Rocha Loures (PMDB-PR) em troca de afastamento de monopólio da Petrobras no fornecimento de gás.

– Temer e Aécio serão investigados por três crimes no Supremo

Resultado de imagem para corrupção passiva, obstrução à investigação de organização criminosa e participação em organização criminosaO presidente da República, Michel Temer (PMDB), será investigado no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de três crimes: corrupção passiva, obstrução à investigação de organização criminosa e participação em organização criminosa.  Um quarto crime descrito no pedido de abertura de inquérito é o de corrupção ativa, mas, neste caso, a conduta é atribuída pela PGR apenas a Joesley Batista, pelo pagamento de R$ 2 milhões acertada para Aécio Neves para pessoas de confiança do senador. Joesley, no entanto, não consta como investigado neste inquérito e sim num outro que também foi autorizado por Fachin, em conjunto com o procurador-eleitoral Angelo Goulart Vilela e o advogado Willer Tomaz.

– JBS ajudou a financiar campanhas de 1.829 candidatos de 28 partidos

Resultado de imagem para JBSApostando em um futuro bom relacionamento com prováveis candidatos que fossem eleitos em 2014, a J&F (holding controladora do grupo JBS) destinou mais de R$ 500 milhões para ajudar a eleger governadores, deputados estaduais, federais e senadores de todo o País, segundo os delatores.  Em um dos depoimentos que prestou ao MPF (Ministério Público Federal), com quem firmou acordo de delação premiada já homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o diretor de Relações Institucionais e Governo da J&F, Ricardo Saud, entregou um levantamento detalhado em que aponta todos os candidatos financiados pela empresa. De acordo com Saud, o total em dinheiro repassado por meio de “pagamentos dissimulados” alimentou as campanhas de 1.829 candidatos. Destes, 179 se elegeram deputados estaduais em 23 unidades da federação e 167, deputados federais por 19 partidos.

– Serra recebeu R$ 6,4 milhões da JBS via caixa 2 em 2010, diz delator

Resultado de imagem para José SerraO empresário Joesley Batista afirmou em sua delação premiada que pagou R$ 20 milhões a José Serra em 2010. Os repasses foram feitos via caixa dois. Em visita à sede da JBS, em São Paulo, o senador pediu ajuda para a campanha, segundo Joesley. Naquele ano, Serra disputou a presidência da República com Dilma Rousseff, mas perdeu no segundo turno. De acordo com Joesley, do valor total, R$ 6 milhões foram repassados por meio de notas fiscais frias para a empresa LRC Eventos e promoções. O empresário afirma que a transação envolveu a “falsa venda” de camarote no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Já a outra parcela, de R$ 420 mil, foi feita para a empresa APPM Analista e Pesquisa, também com notas fiscais frias, segundo detalhou ele em sua delação.

 Lula e Dilma tinham US$ 150 mi em ‘conta’ de propina da JBS, diz Joesley

Resultado de imagem para Lula e DilmaO termo de colaboração 1 do empresário Joesley Batista, do Grupo JBS, descreve o fluxo de duas ‘contas-correntes’ de propina no exterior, cujos beneficiários seriam os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O empresário informou à Procuradoria-Geral da República que o saldo das duas contas bateu em US$ 150 milhões em 2014. Ele disse que o ex-ministro Guido Mantega (Fazenda/Governos Lula e Dilma) operava as contas. O delator informou que em 2009 destinou uma conta a Lula e no ano seguinte, outra para Dilma. Joesley revelou que em dezembro de 2009, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) adquiriu de debêntures da JBS, convertidas em ações, no valor de US$ 2 bilhões, “para apoio do plano de expansão” naquele ano.

– Kassab recebeu R$ 36 milhões de propina da JBS e do PT, diz o delator

Resultado de imagem para KassabEm depoimento de delação premiada, o empresário Wesley Batista, do grupo JBS, declarou que a empresa pagou R$ 29,4 milhões em propina para o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações Gilberto Kassab. Mensalmente, Kassab recebia R$ 350 mil, pagos pela empresa na expectativa de um dia utilizar a influência política do ministro. (TUDO SOBRE A “REPÚBLICA GRAMPEADA”). No relato, Wesley conta que quando a JBS comprou o setor de frigoríficos do grupo Bertin herdou um contrato entre Kassab e Natalino Bertin. A empresa usava caminhões comprados pelo ministro para transportar contêineres por um valor mensal de R$ 300 mil, que posteriormente subiu para R$ 400 mil.

– Não há ilegalidade em áudios gravados por Joesley, diz Fachin

Resultado de imagem para Luiz Edson FachinO ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin, relator da operação Lava-Jato, apontou no despacho de abertura do inquérito que tem entre os investigados o presidente Michel Temer que não há ilegalidade nos áudios gravados pelo empresário Joesley Batista, do Grupo JBS. O ministro aponta ainda que as conversas gravadas foram “ratificadas e elucidadas” por Joesley em depoimento ao Ministério Público. “Convém registrar, ainda e por pertinência, que a Corte Suprema, no âmbito de Repercussão Geral, deliberou que ‘é lícita a prova consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem conhecimento do outro’. Desse modo, não há ilegalidade na consideração das quatro gravações em áudios efetuadas pelo possível colaborador Joesley Mendonça Batista, as quais foram ratificadas e elucidadas em depoimento prestado perante o Ministério Público (em vídeo e por escrito), quando o referido interessado se fez, inclusive, acompanhado de seu defensor”, escreveu Fachin no seu despacho


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